Tratamentos

Endometriose Intestinal: o que é e como se trata.

Publicado por Colorretal

A endometriose se refere à presença do tecido endometrial fora da cavidade uterina. Estima-se que atinja até 10% das mulheres até os 40 anos de idade.

A endometriose intestinal ocorre em  até 15% dos casos de endometriose. Em até 75% dos casos, os segmentos intestinais acometidos são o cólon sigmóide e o reto.

Os principais sintomas da endometriose são a algia pélvica, hipermenorragia,  infertilidade, dispareunia e alterações da evacuação e da micção.

 

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endometriose pélvica e intestinal

Nos casos de endometriose intestinal, sensação de evacuação incompleta e dor pélvica aliviada pela evacuação, além do sangramento retal na forma de hemtoqueia são provavelmente os sintomas mais frequentes. Por outro lado, parece ser correto pensar que a presença ou ausência de um determinado sintoma não remite incluir ou descartar a hipótese diagnóstica de endometriose intestinal. O que leva forçosamente à conclusão de que muitos senão a maioria dos casos de endometriose intestinal são assintomáticos ou insuspeitados.

A avaliação pré-operatória objetiva: 1. confirmar a hipótese diagnóstica, e 2. proceder à caracterização adequada de localização e grau de acometimento intestinal.

A avaliação preparatória começa no exame proctológico. Esse, associado à avaliação ginecológica completa, mas sobretudo, ao toque bidigital permite caracterizar a localização mais frequente da endometriose profunda ocorrendo em associação com a intestinal, que é a localização retrocervical.

A ressonância magnética (RM) representa uma avaliação importante a ser feita nos pacientes com suspeita de endometriose intestinal. Há evidências de que a acurácia da RM na determinação do grau de infiltração do endometrioma na parede intestinal seja inferior à da conseguida durante a ultra-sonografia transvaginal (USG-TV) com preparo intestinal. Por outro lado, a ressonância magnética permite obter uma avaliação global da pelve não fornecida pela USG-TV e uma estimativa precisa da distância entre o endometrioma intestinal e a borda anal.

A USG-TV fornece o diagnóstico mais preciso da qualidade da infiltração da lesão na parede intestinal o que reflete diretamente sobre o tipo de operação que será proposta para a paciente.

A colonoscopia deve sempre ser lembrada em pacientes com endometriose como forma de comprovação dos achados de outros exames mas sobretudo nas pacientes acima dos 50 anos de idade. Pólipos, doença inflamatória intestinal e diverticulose estão entre os achados previamente insuspeitados que podem ser de importância para o manejo adequado das pacientes com endometriose intestinal que serão submetidas ao tratamento cirúrgico. A colonoscopia pode ser normal em pacientes com endometriose intestinal ainda que localizada no segmento retossigmodeano, porém mais freqüentemente revela abalamento/compressão extrínseca/imagem compatível com invasão da parede intestinal.

Diante do insucesso frequentemente associado ao tratamento clínico da endometriose intestinal, o tratamento cirúrgico frequentemente se impõe com o objetivo de minorar ou abolir sintomas, devolver a fertilidade natural ou mais raramente, evitar complicações.

A operação mais frequentemente realizada é a ressecção segmentar do reto, do sigmóide ou de ambos realizada por acesso videolaparoscópico. Para as lesões menores e que invadem um pequeno setor da circunferência do sigmóide ou do reto, a ressecção do setor da parede intestino acometido pelo endometrioma pode ser indicada. Essa operação é hoje mais frequentemente realizada com o auxílio do grampeador circular.

 

A evidência científica sobre o sucesso do tratamento cirúrgico da endometriose intestinal persiste insuficiente. A maioria das publicações sobre o tema abraçam o alívio da dor como o desfecho mais significativo, porém não há poucas publicações que avaliam esse desfecho por intervalos de tempo superiores a um ano. A análise das publicações disponíveis não permitem identificar cutoffs clínicos ou de imagem que permitam separar com acurácia os casos a serem tratados por ressecção segmentar ou discóide ainda que todas as equipes cirúrgicas saibam exatamente quando dispor de uma ou outra opção técnica. Por outro lado, as complicações que se sucedem ao tratamento cirúrgico ainda que minimamente invasivo da endometriose intestinal são indistinguiveis das que sucedem as proctectomias por outras indicações no que se refere a sua ocorrência e gravidade.Nesse sentido, recomenda-se que os pre-requisitos mínimos para a realização do tratamento cirúrgico minimamente invasivo da endometriose intestinal sejam a disponibilidade uma equipe multidisciplinar experiente e comprometida com os resultados, avaliação preoperatoria por mais de um método diagnóstico e realizada por profissionais também experientes, e uma acurada análise das expectativas do paciente sobre o tratamento cirúrgico.

Drs. Sergio Araujo e Victor Seid

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