Tratamentos

Câncer do intestino grosso

Publicado por Colorretal

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Com o diagnóstico precoce e tratamento radical adequado, a cura pode ser atingida em grande número de casos

O que é ?

Tumor maligno que pode estar localizado em qualquer segmento do cólon também chamado de intestino grosso

É o terceiro tipo de câncer mais freqüente no mundo e a 2º causa de mortes por câncer nos Estados Unidos. Nos EUA, estima-se que a chance de se desenvolver este tipo de tumor ao longo da vida seja de 6%.

Com o diagnóstico precoce e tratamento radical adequado, a cura pode ser atingida em grande número de casos.

Qual a causa ?

Sabe-se que o aparecimento do câncer é fruto de mutações genéticas herdadas ou não e que ao longo de anos vão se acumulando e eventualmente resultar em um tumor maligno.

Pessoas com um ou mais parentes de 1º grau com câncer de cólon têm duas a três vezes o risco da população geral para desenvolver este tipo de tumor. As formas hereditárias de câncer de cólon respondem por cerca de 20% dos casos.

A ingestão elevada de gorduras e carboidratos e baixo consumo de fibras estão associados a maior chance para o aparecimento de câncer colorretal. O consumo de fibras insolúveis e cálcio é considerado fator protetor contra o câncer de cólon.

A grande maioria dos tumores malignos de intestino grosso são originados de pólipos benignos , os chamados adenomas. Apesar de benignas , estas lesões são pré malignas e se não removidas, podem se transformar em câncer ao longo de anos.

Quais são os sintomas?

Os principais sinais e sintomas são dor abdominal, sangramento anal (hematoquezia) ,alteração do hábito intestinal (mudança da consistência das fezes e da freqüência de evacuações), anemia, astenia (fraqueza, cansaço ) e perda de peso.

Dois estudos avaliaram as manifestações iniciais de pacientes com câncer de cólon.

  • dor abdominal (ocorre em 44% dos doentes)
  • alteração do hábito intestinal (ocorre em 43% dos pacientes)
  • hematoquezia ou melena (ocorre em 40% dos pacientes)
  • fraqueza (ocorre em 20% dos pacientes)
  • anemia (ocorre em 11% dos pacientes)
  • perda de peso (ocorre em 6% dos pacientes)

Os sinais e sintomas dependem da localização do tumor no intestino grosso

Dor abdominal é comum e ocorre quando há obstrução intestinal pela lesão. Tumores localizados mais próximos do ânus tendem a causar obstrução mais precocemente e sangramento anal. Tumores localizados no lado direito do abdome (no ceco, no cólon ascendente e no cólon transverso) levam mais tempo para causar obstrução pois nessas localizações o calibre do intestino é maior e o sangramento não é identificado pelo paciente tão facilmente já que exterioriza-se na forma de fezes mais escuras e não sangue vivo.

Anemia de origem desconhecida e fraqueza são às vezes os únicos sintomas iniciais e merecem sempre investigação médica.

Como se faz o diagnóstico ?

O diagnóstico começa sempre com uma boa consulta médica e com a , entrevista cuidadosa do paciente.

A suspeita do câncer do intestino requer a confirmação de sua presença o que é feito através da colonoscopia com biópsias.

A colonoscopia é um exame realizado com sedação do paciente e preparo prévio do intestino. Um endoscópio flexível percorre todo o intestino grosso e parte do intestino delgado. O objetivo do exame é visualizar o tumor e outras lesões que necessitem ser ressecadas (como pólipos e outros tumores sincrônicos presentes em até 5 a 7% dos casos).

Estadiamento

Após o diagnóstico, o próximo passo é o estadiamento da doença, ou seja, avaliar a extensão da doença no segmento de intestino afetado e nos outros órgãos.

Rotineiramente são realizados a tomografia de abdômen e tórax ou radiografia de tórax. O objetivo é avaliar a invasão pelo tumor de estruturas vizinhas, a presença de linfonodos aumentados adjacentes ao tumor e a presença de metástases a distância (o câncer de cólon origina mestástases principalmente para o fígado e pulmões).

O antígeno carcinoembrionário (CEA) é um marcador produzido pela maioria dos tumores colorretais e no pré-operatório, a sua dosagem no sangue é realizada rotineiramente. O valor do CEA tem implicação no prognóstico e é usado após a cirurgia para se detectar eventuais metástases ou recidiva.

O estadiamento é de suma importância pois auxilia no planejamento do tratamento e tem implicação no prognóstico do doente.

O estadiamento definitivo somente é completado após a cirurgia, com a análise do tumor removido pelo médico patologista.

Como é feito o tratamento?

O único tratamento curativo para o câncer do colon é a cirurgia.

A cirurgia permite:

  • retirada do segmento de intestino acometido com margens de segurança e dos linfonodos regionais.
  • alívio da obstrução intestinal pelo tumor com manutenção do trânsito intestinal (confecção de anastomose primária) ou com a realização de uma estomia (intestino grosso ou delgado exteriorizado para a pele).
  • avaliação da cavidade abdominal com o objetivo de se identificar metástases não diagnosticadas nos exames de imagem.

Os princípios do tratamento cirúrgico são retirar o intestino com margens de segurança, respeitando a vascularização e retirando junto com a peça os linfonodos regionais que acompanham o suprimento arterial e a drenagem venosa. A qualidade da operação com retirada adequada dos linfonodos (no mínimo 12) e adequada margem radial, proximal e distal implica diretamente no estadiamento e prognóstico do paciente.

A cirurgia para o câncer do cólon pode ser convencional ou laparoscópica. Devido à realização de uma menor incisão abdominal durante as operações colorretais por vídeo, pesam a favor da laparoscopia as vantagens como o menor tempo de internação hospitalar , menor dor operatória e retorno mais rápido às atividades habituais. As vantagens da videocirurgia colorretal são menos evidentes para os casos de tumores maiores quando é necessária a realização de uma incisão maior para se remover o tumor.

O que é um estoma e quando é necessário utiliza-lo no tratamento?

A confecção de uma estoma intestinal é a abertura de um segmento de intestino delgado (ileostomia) ou de intestino grosso (colostomia) na parede abdominal. Como resultado, o conteúdo intestinal no caso de ileostomias ou as fezes, no caso de colostomias, são coletados diretamente no interior de um dispositivo plástico. Esse dispositivo é a bolsa de ileostomia ou de colostomia.

A confecção de uma estomia é necessária em algumas situações específicas como na cirurgia de urgência por obstrução intestinal pelo tumor, na perfuração tumoral com contaminação da cavidade abdominal com fezes, na ressecção de tumores localizados mais próximos ao ânus. Estas situações são particulares e cada caso merece avaliação individualizada pelo cirurgião e discussão com o doente antes da operação. Jamais deve-se comprometer a qualidade da ressecção devido a não realização de uma estomia.

Quimioterapia

A quimioterapia pode ser realizada após a cirurgia em determinados grupos de pacientes com o objetivo de diminuir o risco de que haja recidiva do tumor e também com o objetivo de aumentar a sobrevida após o tratamento cirúrgico.

Doentes com linfonodos regionais acometidos ou com metástases a distância ou ainda aqueles com tumores sem acometimento linfonodal porém com características adversas como invasão de outros órgãos identificada na cirurgia ou ainda na presença de perfuração ou fístula, se beneficiam de quimioterapia no pós operatório.

A maioria dos esquemas de quimioterapia são realizados em um período de 6 meses. Há uma gama de drogas que são utilizadas como o 5-fluoracil, capecitabina, leucovorin, oxaliplatina, irinotecan, bevacizumab etc.

Os efeitos colaterais do tratamento são muito variáveis e a decisão do melhor esquema é feita pelo oncologista com a participação do paciente.

Nos pacientes com indicação, a quimioterapia pode diminuir em até 30% a chance de recidiva e a mortalidade.

Radioterapia

Pode ser realizada no pós operatório quando o tumor invade estruturas vizinhas, quando as margens de ressecção são comprometidas ou ainda quando há perfuração ou fístula.

Prognóstico

O prognóstico depende do estadiamento da doença . Quanto mais cedo for o diagnóstico e tratamento melhor será o prognóstico. A qualidade do estadiamento e tratamento é fundamental para melhorar a sobrevida destes doentes.

Seguimento

A realização do seguimento após o tratamento do câncer do intestino objetiva detecta mais precocemente o aparecimento de recidivas, de outros tumores do intestino e mesmo o aparecimento de pólipos (precursores do câncer).
O seguimento geralmente envolve o paciente, o cirurgião que o operou e o médico oncologista.

A duração e a frequência com que o paciente deve retornar em consultas é determinada pelos médicos, pelo paciente e também de acordo com as características particulares do tumor tratado.

Durante o seguimento são realizados:

  • consulta médica
  • disagens sanguineas do antógeno carcinoembrionário (CEA),
  • exames de imagem como a colonoscopia, radiografias de tórax, tomografias e a cintilografia

Uma colonoscopia com visualização de todo o cólon é obrigatória 1 ano após a cirurgia ou logo após a operação se o tumor era obstrutivo.

Se um estoma foi necessário o paciente pode ter o trânsito intestinal reconstituído tão logo o tratamento adjuvante (pós operatório) seja completado e não haja evidência de recidiva.

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