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Trata-se de condição inflamatória crônica de causa ainda desconhecida que afeta o trato gastrointestinal

DOENÇA DE CROHN

O que é?
Quais os principais sintomas?
O que causa a doença?
Como se faz o diagnóstico?
Quais são as modalidades de tratamento?
Quando é necessário operar?
Quando é necessário utilizar estomas?
Doença de Crohn aumenta o risco de se ter câncer do intestino?
DICAS

O QUE É?

A doença de Crohn é uma doença inflamatória crônica que afeta inicialmente o trato gastrointestinal podendo atingir desde a boca até o ânus.

A maioria dos pacientes acometidos tem idade jovem (antes dos 40 anos).

Acomete homens e mulheres com igual freqüência.

Ocorre mais freqüentemente em uma determinada família de forma que em cerca de 20% dos casos é possível encontrar um parente afetado.

Tem causa ainda desconhecida. Nenhum agente infeccioso ou alimento parece diretamente envolvido na causa da doença.

É uma doença crônica, ocorre com variados graus de intensidade e acomete seus portadores com caráter recidivante, isto é: períodos de remissão intercalam-se com períodos de atividade da doença.

Os locais mais freqüentemente acometidos são o íleo (intestino delgado) na sua porção mais terminal, e o cólon (intestino grosso).
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QUAIS OS PRINCIPAIS SINTOMAS?

Os sintomas da doença de Crohn dependem fundamentalmente:
1. da localização e extensão da doença,
2. da natureza da manifestação (se de inflamação, estenose ou de fístula),
3. da ocorrência de complicações,
4. e da gravidade com a qual ela atinge o órgão.

A diarréia crônica é o principal sintoma. Produtos patológicos presentes nas fezes tais como sangue e muco (catarro) também sugerem o diagnóstico.

Dor abdominal pode estar presente. A dor abdominal recorrente localizada no lado direito baixo do abdome em pacientes com história de diarréia ou emagrecimento é sugestiva de ileíte de Crohn. Uma parcela pequena de pacientes com doença de Crohn de localização ileocecal foi submetida a apendicectomia não-terapêutica devido à suspeita de apendicite aguda.

Emagrecimento e fraqueza estão presentes nas formas mais graves ou mais extensas.

Vômitos e distensão abdominal predominam quando a lesão tende a acometer intensamente o intestino determinando seu fechamento (estenose) parcial ou total.

Uma vez que a inflamação na doença de Crohn acomete todas as camadas do trato gastrointestinal, podem ocorrer fístulas que são trajetos ou comunicações entre o interior do órgão acometido pela doença e:

outros órgãos normais (como outras porções do intestino, a bexiga e a vagina),
a parede abdominal (determinando o aparecimento de orifícios fistulosos na pele da região abdominal com drenagem de material intestinal ou fecal).

A febre em pacientes com doença de Crohn é um sinal de alarme e deve orientar para o diagnóstico de uma complicação.

Sintomas anais tais como dor, sangramento e drenagem de pus podem ocorrer e refletem a localização anorretal do processo inflamatório. Por vezes são intensos causando extrema incapacidade e necessidade de internação para melhora clínica.

Manifestações extraintestinais da doença de Crohn podem ocorrer em até metade dos pacientes. Na maioria das vezes essas manifestações estão relacionadas a atividade da doença em sua localização primária. Dessa forma, artrites e dores articulares, lesões dolorosas na pele dos membros superiores e inferiores, lombalgias e manifestações oculares podem atingir pacientes com doença de Crohn.
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O QUE CAUSA A DOENÇA?

Tem causa ainda desconhecida.

Não é contagiosa e nenhum agente infeccioso ou alimento parece  estar diretamente envolvido até o momento na causa da doença.

O conhecimento médico mais moderno aponta para uma desregulação na atividade de resposta inflamatória do organismo à constituintes normais da alimentação moderna. Trata-se portanto de uma resposta de defesa anormal e este é ainda o conhecimento que rege o tratamento medicamentoso e cirúrgico.

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COMO SE FAZ O DIAGNÓSTICO?

A comprovação da suspeita clínica de doença de Crohn (já obtida na entrevista e no exame físico realizados pelo médico) se faz com o auxílio de métodos endoscópicos e  radiológicos.

Para o diagnóstico da doença de Crohn de localização no intestino delgado, inicialmente o trânsito intestinal (série de radiografias do intestino delgado após administração de contraste baritado por via oral) é empregado. A cápsula endoscópica pode ser empregada com sucesso para o diagnóstico das formas mais leves.

A colonoscopia (exame endoscópico do intestino grosso e das porções finais do intestino fino) permite avaliar a gravidade e a extensão da doença no cólon bem como obter biópsias para realizar o diagnóstico diferencial com a retocolite ulcerativa.

A tomografia computadorizada e a ressonância magnética se prestam ao diagnóstico de complicações: abscesso, fístula e obstrução intestinal.

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QUAIS SÃO AS MODALIDADES DE TRATAMENTO?

Uma vez que o tratamento ainda não pode alcançar a cura, os objetivos deste são aliviar os sintomas e prevenir (ou tratar) complicações.

O tratamento da doença de Crohn é inicialmente clínico.

As medicações mais utilizadas são principalmente de:

aminossalicilatos: no Brasil, os principais e mais disponíveis, e inclusive custeados pelo Sistema Único de Saúde são a sulfasalazina e a mesalazina. São empregados como terapia inicial para a obter a remissão dos sintomas e também em casos selecionados, com o objetivo de prevenir a recidiva.
costicosteróides: empregados nos casos com atividade moderada ou grave. Extremamente eficazes porém devem ser o mais precocemente possível descontinuados devido a efeitos colaterais (imunossupressão, diabetes e osteoporose entre outros).
imunossupressores: o mais utilizado é a azatioprina. Empregada principalmente nos casos de refratariedade ou intolerância à corticoterapia bem como nos casos de corticodependência.
antibióticos: o metronidazol e o ciprofloxacin são utilizados em associação nos casos com atividade moderada e de forma prolongada se boa resposta nos casos de localização anorretal.
anticorpos: a terapia com infliximab está indicada para os casos de fístulas abdominais ou anorretais na ausência de resposta à corticoterapia/antibioticoterapia ou terapia imunossupressora e na ausência de obstrução e abscesso com resultados variáveis e quando a cirurgia não está considerada.

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QUANDO É NECESSÁRIO OPERAR?

O tratamento cirúrgico da doença de Crohn deve ser realizado em centros especializados e quando indicado está associado a excelentes resultados sempre beneficiando os pacientes.

A ocorrência de complicação é a principal indicação do tratamento cirúrgico. São elas: a obstrução intestinal, a perfuração com abdome agudo, a ocorrência de fistulas, o sangramento grave e os sintomas de intratabilidade clínica persistente (dor, emagrecimento, desnutrição, diarréia, anemia e infecção perineal).

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QUANDO É NECESSÁRIO UTILIZAR ESTOMAS?

Os pacientes com doença de Crohn que correm risco de um dia virem a necessitar da realização de uma derivação intestinal definitiva (colostomia ou ileostomia) são os portadores de colites graves que atingem o reto e os portadores de manifestações ano-reto-perineais graves.

Derivações temporárias podem sempre ser utilizadas como recurso técnico necessário a proteger uma operação delicada, nas situações de operação de urgência e nas complicações pós-operatórias.

Conforme abordaremos em outra sessão, as derivações definitivas somente são utilizadas em última circunstância e sempre beneficiam o paciente. Este, com a atividade da doença abolida volta de um modo geral a ter condições de levar sua vida normalmente.

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DOENÇA DE CROHN AUMENTA O RISCO DE SE TER CÂNCER DO INTESTINO?

A resposta simples à essa questão é SIM.

No entanto, tudo é uma questão da magnitude desse risco.

Quando consideramos um grande conjunto de pacientes com doença de Crohn e medimos qual o risco de se desenvolver câncer de intestino quando comparamos a uma população sem doença de Crohn, dizemos que este risco está levemente aumentado.

No entanto ele se encontra significativamente aumentado para aqueles pacientes com doença de Crohn:

com antecedente familiar de câncer do intestino;
com uma ou mais estenoses no intestino grosso como resultado da presença de uma colite grave;
na forma de colite com mais de dez anos de evolução.

Nessas situações, indica-se a operação para remover estenose quando presente e inicia-se a vigilância empregando-se a colonoscopia a ser realizada anualmente ou bienalmente.

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DICAS

Não fume
Pratique atividade física no mínimo três vezes por semana
Evite a obesidade
Prefira legumes, verduras, frutas e grãos
Tome bastante água
Controle a ingesta de gordura animal
Combata o stress diariamente
Sempre examine o conteúdo do vaso sanitário após evacuar

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