Síndrome do intestino irritável

“O ser humano deve esforçar-se por ter seus intestinos relaxados todos os dias da sua vida” (Moses Maimonides)
Embora a denominação síndrome do intestino irritável (SII) tenha sido introduzinda em 1946, esta era antigamente conhecida por colite nervosa, diarréia nervosa, cólon espástico, colite funcional e por outras denominações e foi por mais de cem anos atribuída basicamente a distúrbios emocionais. Trata-se de uma das mais freqüentes causas de visitas a gastroenterologistas no nosso país e no mundo.

Em 1988, pesauisadores internacionais reuniram-se então em Roma para desenvolver em consenso critérios diagnósticos para essa síndrome bem como para outros distúrbios “funcionais” do aparelho digestivo concluindo pela origem incompletamente elucidada para os sintomas da síndrome. De fato, o que parece ocorrer é que o intestino e não somente o cólon responde inadequadamente (e por causa desconhecida) a eventos normais tais como a passagem de gases ou líquidos pelos seu trajeto.

Causas

A causa é desconhecida. Participam na sua origem uma série de alterações cuja intensidade é variável entre um paciente e outro o que explica a dificuldade na adequação do tratamento em uma base individual e que são principalmente: movimentação anormal do intestino delgado em jejum e em resposta à ingestão de alimentos; sensibilidade anormalmente aumentada dos receptores nervosos da parede intestinal à distensão gasosa, infecção e alterações do estado emocional, elevação anormal nos níveis de neurotransmissores (entre eles, a serotonina) no sangue e no intestino e associação a quadros de ansiedade ou depressão

Sintomas

São vários e de intensidade e freqüência que variam entre os pacientes. Incluem desconforto e distensão abdominal, dor e cólicas mais freqüentemente aliviáveis pelo ato de evacuar, alternância entre constipação e diarréia e sensação de esvaziamento incompleto do intestino) que têm periodicidade indefinida ou podem ser deflagrados pela ingesta de comidas gordurosas, álcool, cafeína, legumes e verduras que aumentam a produção de gases e de alimentos que contenham sorbitol (chicletes e balas sem açúcar).

Diagnóstico

Para o diagnóstico, é desejável que esses sintomas estejam presentes por pelo menos 12 semanas, ainda que de forma intermitente. O diagnóstico é baseado nos sintomas, na ausência de sinais de alerta tais como sangramento, anemia e emagrecimento e pela constatação da normalidade do intestino grosso por meio da endoscopia do intestino grosso (colonoscopia). O diagnóstico de SII é um diagnóstico de exclusão. Os principais diagnósticos diferenciais a serem considerados são as colites inespecíficas (retocolite ulcerativa e doença de Crohn), a diverticulite, o câncer de cólon e a endometriose.

Tratamento

O controle da dor é realizado pelo emprego de antiespasmódicos. Em alguns casos, a associação de antidepressivos pode ser empregada.

Para a diarréia, os compostos formadores de bolo fecal como o mucilóide de psyllium costumam apresentar bons resultados. Antiperistálticos como a loperamida e a domperidona também podem ser utilizados.

Para os períodos de constipação, a opção por dieta rica em fibras e a associação com laxativos é empregada com sucesso.

Todo um arsenal moderno composto por drogas atualmente disponíveis com tentativa de atuação direta sobre os distúrbios de sensibilidade e motilidade que se acredita serem os causadores dessa síndrome podem ser utilizadas.

O diagnóstico e o tratamento da SII requer a estreita participação do gastroenterologista que está apto a afastar as causas que requerem diagnóstico diferencial, conduzir o tratamento e indicar psicoterapia ou técnicas de relaxamento quando necessárias.

Identificar e evitar alimentos que possam estar associados ao aparecimento das crises, comer com pouca gordura e com grande quantidade de fibras, evitar os alimentos formadores de gases (repolho, brócolis, feijão e batata doce entre outros), diminuir a ingesta de álcool e de cafeína, fazer exercícios físicos diariamente e não fumar previnem o aparecimento das crises e contribuem para viver com mais qualidade e gastando menos com remédios.