Risco de colostomia definitiva após tratamento do câncer do reto: em queda

especialização em Coloproctologia

Nos últimos 25 anos, o tratamento do câncer do reto mudou muito.

O emprego do tratamento preoperatório por quimo e radioterapia e a padronização do tratamento cirúrgico pela excisão total do mesorreto levaram a resultados oncológicos de sobrevida e recorrência em algumas vezes melhores do que os observados após o tratamento cirúrgico do câncer do cólon.

Um dos objetivos do tratamento cirúrgico do câncer do reto é preservar a evacuação pelo ânus e minimizar os impactos sobre a continência fecal e urinária bem como sobre a função sexual resultantes do emprego de cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

Nesse sentido, Mohammed e cols. publicaram recentemente os resultados de um estudo clínico muito importante. Nesse estudo, as taxas de preservação esfincteriana após cirurgia por câncer do reto entre 1995 e 2010 foram comparadas em dois registros norte-americanos de câncer: o Veterans Affairs Central Cancer Registry e o Surveillance, Epidemiology, and End Results (SEER) . Nesse estudo, as taxas de preservação esfinceriana aumentaram nos dois registros atingindo 79,3% de todos os pacientes no registro VA.

Há várias limitações metodológicas do estudo mas que se tornam menos importantes quando verificamos que a chance de colostomia definitiva avaliada em um grande número de pacientes com câncer do reto foi aferida em sendo menor do que 1 em 5.

Referência: Mohammed S, Anaya DA, Awad SS, et al. Sphincter-preservation rates following radical resection for rectal cancer in the United States veteran population: opportunity for improvement in early disease. Ann Surg Oncol. 2014. doi:10.1245/s10434-014-4101-z.