PAPEL DA PRÓTESE ENDOSCÓPICA AUTO-EXPANSÍVEL (STENT) NA OBSTRUÇÃO DO CÓLON POR CÂNCER: EVIDÊNCIA CIENTÍFICA ATUAL

Captura de Tela 2014-04-20 às 20.12.50A obstrução intestinal representa uma complicação do câncer do intestino que pode ocorrer em até 30% dos casos.

A localização no colon esquerdo (distal à flexora esplênica) é um fator de risco isolado para essa complicação.

O tratamento cirúrgico de urgência é o padrão-ouro. No entanto, está associado a alta morbidade,  a alguma mortalidade e à necessidade de derivação intestinal (estoma).

A descompressão endoscópica por passagem de prótese auto-expansível (stent) é uma alternativa muito atraente. Quando o tratamento é eficaz, permite levar o paciente para uma cirurgia eletiva, sem os riscos da cirurgia de urgência e sem necessidade de estoma.

A evidência científica até o momento indicava que a passagem do stent per se representa uma fator de risco para o paciente que enfrenta uma obstrução maligna do cólon esquerdo. Não somente porque existe o risco de perfuração do cólon durante o procedimento, mas sobretudo porque a descompressão pode não ser eficaz por conta de deslocamento do stent ou outros fatores. Por último, sabemos que quanto maior o intervalo de tempo entre a colocação do stent e a indicação da cirurgia definitiva, maior o risco de complicações.

Nesse sentido, Cirocchi e cols. [Surg Oncol 2013; 22(1): 14-21] realizara uma revisão sistemática com metanálise de ensaios randomizados avaliando o papel do stent como uma ponte para cirurgia eletiva após o diagnóstico de obstrução do cólon esquerdo por câncer.

Apenas 3 ensaios foram incluídos na revisão. 197 pacientes foram analisados: 97 foram submetidos ao stent e 100, a tratamento cirúrgico de urgência. O sucesso da descompressão do cólon foi significativamente maior entre os pacientes operados (99%) do que entre os submetidos a stent (52%, p<0,00001).

Câncer do Intestino - Ícone Colorretal

Não houve diferença na taxa de complicações ou na de mortalidade. Pacientes submetidos a tratamento com stent necessitaram menos frequentemente de estimas (45% VS. 62%).

Verifica-se que o tratamento endoscópico por stent na obstrução do cólon por câncer é factível e resulta em menor necessidade de estoma intestinal. No entanto, é bem verdade que resolveu o problema menos frequentemente do que a cirurgia de urgência. O número de pacientes incluídos em ensaios randomizados é ainda muito pequeno. Associadamente, faz-se necessário conhcer por que a resolutividade clínica com o stent foi baixa, sobretudo se devido a inexperiência da equipe médica com a técnica.

Drs. Sergio Araujo e Victor Seid