Incontinência Anal

A incontinência anal é a incapacidade de controlar e sobretudo de impedir a eliminação anal de gases e fezes.

Incontinência Anal

Incontinência Anal

Acomete homens e mulheres e tem intensidade variável.

A perda de controle sobre a eliminação de fezes sólidas é geralmente denominada de incontinência anal total enquanto a perda de controle restrita à eliminação de gases ou fezes líquidas é chamada de incontinência anal parcial. A perda de gases associada ao escape de fezes líquidas em pequena quantidade manchando as vestes íntimas também pode ser chamado de incontinência leve. Trata-se de condição incapacitante, constrangedora e de repercussão sócio-econômica significativa. Nos graus mais avançados, a perda de gases se associa a perda de fezes pastosas e fezes sólidas. A freqüência dos episódios de perda fecal também é levada em conta para a caracterização da gravidade da doença.

Não há nenhuma correlação entre incontinência anal e urinária. No entanto, ambas podem estar presentes em um mesmo pacientes secundárias a diferentes causas.

É condição mais freqüente em mulheres e a chance de sua ocorrência aumenta com a idade (acima dos 65 anos a sua ocorrência pode triplicar).

A incontinência anal congênita (presente ao nascimento) resulta de malformações tais como a imperfuração anal (nesse caso a incontinência anal é uma seqüela da correção dessa anormalidade), a mielomeningocele e a espinha bífida.

A incontinência anal é mais freqüentemente adquirida e resulta no adulto de trauma obstétrico (má assistência ao parto vaginal ou pato vaginal difícil) ou mais frequentemente mas não exclusivamente de operações anais prévias realizadas sob indicação ou técnica inadequadas.

O diagnóstico é realizado facilmente pela entrevista e exame com o proctologista. O grau de incontinência deve ser determinado clinicamente (pela aplicação de um questionário e obtenção de um score) porém sua definição deve ser subsidiada com o emprego de exames complementares disponíveis hoje com razoável facilidade em São Paulo.

Nos indivíduos idosos para os quais a verificação de grau leve ou incompleto de incontinência é comum e não raramente associado a más condições clínicas gerais, o tratamento não-cirúrgico produz bons resultados. A incontinência que produz sintomas mais significativos e refratários às medidas incruentas utilizadas é mais freqüentemente resultado de dano ao aparelho esfinctérico associado em maior ou menor grau a denervação do assoalho pélvico (neuropatia). Para esses pacientes, via de regra, reserva-se o tratamento cirúrgico.

O emprego de dieta constipante, de antidiarréicos, da reeducação do hábito intestinal e do fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico representam os pilares do tratamento clínico da incontinência anal a serem oferecidos pelo seu médico como medida inicial para alívio dos sintomas. Lavagens intestinais também podem ser utilizadas para a melhora da qualidade de vida e do grau de conforto e segurança de pacientes que sofrem de incontinência anal.

A decisão de corrigir a incontinência anal por cirurgia é complexa, depende do médico e do paciente que deve ser bem esclarecido sobre seus resultados de forma que o médico deve conhecer bem as expectativas do paciente.

De uma forma geral, as operações que tentam reestabelecer a continência não devem ser negadas aos pacientes que padecem de incontinência grave. Uma variedade de operações está disponível e persiste em aperfeiçoamento para o tratamento. Mais modernamente, as técnicas cirúrgicas disponíveis envolvem a execução de:

1. reparo direto de defeito esfincteriano. Conhecida como a operação de esfincteroplastia anal (plástica do músculo esfíncter anal), essa operação objetiva reparar o músculo lesado durante parto mal-assistido ou após operação anal (para fístula por exemplo) empregando dissecção cuidadosa e reparo com fios de sutura.

2. reforço da massa muscular contrátil perianal. Conhecidas como as operações de transposição muscular, nestas, músculos esqueléticos vizinhos são adequadamente preparados e levados ao ânus através de operações elaboradas com o objetivo de reforçar esfíncteres anais para os quais a tentativa de restauro por esfincteroplastia resultou em insucesso. Essas operações enfrentam hoje algum grau de desuso devido ao advento da prótese do aparelho esfincteriano conhecida como esfíncter anal artificial.

3. substituição do aparelho esfinctérico (esfíncter anal artificial). Essa técnica é a mais promissora das operações disponíveis quando o esfíncter anal não pode mais ser reparado pela esfincteroplastia. Nessa operação, uma prótese de silicone constituída por um anel que é instalado na região perianal, por um dispositivo de desinsuflação desse anel (instalado no escroto ou nos grandes lábios) e por um reservatório que guarda a solução que preenche o dispositivo) é utilizada para substituir a função dos músculos anais. O dispositivo circular permence sempre insuflado assegurando a continência anal mesmo nas situações de sobrecarga (como durante um espirro). Ao desejo de evacuar, o paciente aciona o dispositivo instalado no escroto ou na vagina que esvazia o anel transferindo a água ao reservatório permitindo a defecção ao que se segue a reinsuflação do anel. Infecção da prótese e elevado custo ainda desafiam médicos e pacientes e restringem a oferta desse método a um maior número de pacientes.

4. colostomia. A realização de uma colostomia é uma opção para os pacientes com idade avançada, insucesso após outras tentativas cirúrgicas ou na vigência de complicações infecciosas urinárias resultantes da incontinência anal. Quando adequadamente indicadas proporcionam grande conforto aos pacientes que experimentam comprovada melhora na qualidade de vida