Fissura Anal

Acomete homens e mulheres, jovens e idosos em igual proporção.

O que é?

A fissura anal é uma ferida de formato linear no ânus, uma úlcera dolorosa no formato de um corte que frequentemente leva a sangramento.

Está mais comumente localizada na parede posterior do ânus, porém também pode ocorrer na parede anterior.

Pode ser aguda ou crônica. Toda fissura crônica já foi aguda. No entanto, nem todas as fissuras agudas cronificam.
A fissura aguda é aquela de início recente.

A fissura crônica é aquela com mais de 30 dias de seu aparecimento ou aquela que costuma cicatrizar porém reaparece com freqüência.

Quais as causas ?

A fissura anal aguda é causada por trauma direto sobre o ânus causado pela evacuação de fezes mais endurecidas ou, ao contrário, pela passagem de fezes extremamente irritantes, como nas diarréias.

Também pode, mais raramente, estar associada a doenças inflamatórias intestinais (colites) sendo, nesse caso, uma manifestação inflamatória local no ânus da doença que atinge o cólon.

A fissura anal crônica pode resultar da persistência de mau hábito intestinal (como a constipação duradoura) e também de um aumento da força de contração de repouso (tônus) do ânus, espécie de incoordenação motora de origem ainda desconhecida.

Quais os sintomas?

Os sintomas mais freqüentes da fissura anal são a dor e o sangramento às evacuações.

Também pode haver queixas de desconforto anal quando o paciente assume a posição sentado(a).

Coceira e ardência após as evacuações também são queixas freqüentes.

Nos casos de dor intensa pode haver uma inibição consciente ou não da evacuação o que torna as fezes mais endurecidas e a evacuação mais dolorosa o que gera o círculo vicioso, abaixo:

Fissura Anal Sintomas

Fissura Anal Sintomas

Como é feito o diagnóstico ?

O diagnóstico da fissura anal é feito pela simples inspeção do ânus.

O toque digital deve ser realizado para confirmar o estado de hipertonia anal responsável pela cronificação da fissura. No entanto, às vezes este não pode e não deve ser realizado devido a intensa dor.

A avaliação diagnóstico, então, pode ser complementada pelos especialista durante o tratamento cirúrgico ou sob sedação.

Cabe também ao especialista decidir pela necessidade de se afastar através da colonoscopia, o diagnóstico de doença inflamatória intestinal (mais especificamente a doença de Crohn) antes de propor tratamento. Também nessas situações, o exame de eletromanometria anorretal pode ser solicitado pelo especialista com objetivo de subsidiar o diagnóstico de fissura anal como manifestação de doença inflamatória.

Qual é o tratamento ?

A fissura anal aguda cicatriza sem necessidade de tratamento cirúrgico em mais de 90% dos casos.

Inicia-se o tratamento pela correção do hábito alimentar (dieta rica em fibras: legumes, verduras, cereais e frutas) e pelo estímulo da ingesta de água a fim de se evitar a constipação e reduzir o trauma provocado pela passagem das fezes.

Banhos de assento com água morna (10 minutos várias vezes ao dia) são um poderoso aliado da correção dietética pois produzem relaxamento muscular que contribui para a cicatrização da fissura.

Cremes e pomadas contendo anestésicos locais e antiinflamatórios por via oral podem ser utilizados.

Já a fissura anal crônica responde com menor freqüência ao tratamento clínico. O tratamento cirúrgico é a opção de escolha para esses casos e resulta na cicatrização da fissura crônica com sucesso quando bem indicado pelo especialista.

Cremes e pomadas contendo agentes relaxantes do músculo liso tais como o dinitrato de isossorbida, a nitroglicerina e o diltiazem vêm sendo utilizados com sucesso para os pacientes considerados de risco para o tratamento cirúrgico, para aqueles que não desejam se operar ou finalmente para aqueles que evoluíram sem cicatrização após a cirurgia.

Quando é preciso operar ?

A cirurgia persiste ainda como a melhor opção de tratamento para o paciente com fissura anal crônica que evoluiu sem cicatrização após o tratamento clínico pois é de simples realização, realizável sob anestesia regional (raqui ou peridural) e em regime ambulatorial (sem necessidade de internação).

A associação com outras doenças anais tais como as hemorróidas, o condiloma ou menos frequentemente a fístula anorretal representa indicação de tratamento cirúrgico uma vez que o melhor tratamento dessas afecções ocorrendo em conjunto é a cirurgia.

Qual operação é realizada ?

A esfincterotomia anal é a operação realizada com objetivo de trazer condições locais de cicatrizar a fissura anal crônica.

Trata-se de operação simples e rápida e demora cerca de 15 minutos para sua realização.

Nessa operação, parte do músculo esfíncter interno do ânus é seccionada através de uma diminuta incisão anal objetivando reduzir a pressão anal de repouso e dessa forma levar a cicatrização da fissura.

A recuperação após a operação de esfincterotomia anal é extremamente rápida e a maioria dos pacientes experimenta sensível alívio da dor logo na primeira evacuação após a cirurgia.

Qual a chance de a fissura retornar após a operação ?

Em geral, de menos de 10%. Avaliação diagnóstica adequada, precisa indicação da cirurgia e experiência do cirurgião trazem ótimos resultados que fazem da operação ainda a melhor abordagem para os pacientes com fissura anal crônica.

DICAS

  • Leve uma vida saudável
  • Não fume
  • Tome bastante água
  • Prefira as refeições que contêm fibras
  • Sintomas de dor e sangramento merecem rápida investigação diagnóstica.
  • Procure seu coloproctologista